As decisões de investimento no primeiro semestre de 2009 serão fundamentais para manter, nos próximos anos, o nível de empregos e o crescimento de um dos maiores segmentos do Brasil, o de construção civil. É o que acredita o presidente do Sindicato da Indústria de Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP), Sérgio Watanabe.
Na área de infra-estrutura, o setor "nada de braçada", já que está amparado nas obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Há investimentos contratualizados para os próximos anos. Já no segmento imobiliário, as grandes incorporadoras suspenderam novos lançamentos, mas têm obras suficientes para manter o nível de emprego até o segundo trimestre do próximo ano.
"A construção trabalha com ciclos longos que podem atingir até 24 meses, e as obras iniciadas antes do epicentro da crise garantirão ao setor um ritmo acima do PIB em qualquer dos cenários em 2009", diz o diretor de Economia da entidade, Eduardo Zaidan.
A entidade prevê que o PIB da construção deverá crescer cerca de 10% em 2008, atingindo R$ 113,6 bilhões. Isso significa um crescimento acumulado de 34% desde 2004 – nesse mesmo período o PIB brasileiro expandiu-se 26%.
O setor possui 100 mil empresas formalizadas, sendo que a grande maioria é de pequenos negócios. Segundo Watanabe, os efeitos da ação do governo no setor de crédito imobiliário já começam a ser sentidos. Nos últimos dias, a Caixa Econômica Federal tem fechado, de acordo com ele, vários contratos de capital de giro para as construtoras.
O presidente do Sinduscon diz, no entanto, que para manter a atividade econômica o empresário da construção civil terá de correr alguns riscos. "Não é possível manter o crescimento se as empresas não investirem em novos lançamentos".
Em 2009, mesmo num cenário pessimista, em que haverá o cancelamento de um grande número de projetos, o setor espera crescer acima de pelo menos 3,5%. A previsão de muitos analistas é de que o PIB não ultrapasse os 2,8%.
O nível de emprego no setor de construção civil manteve até outubro um estoque de 2,194 milhões de postos de trabalho. Para Ana Maria Castelo, da FGV Projetos, as demissões até agora têm se concentrado em áreas administrativas do setor, que têm participação pequena em relação ao contingente dos canteiros de obras. Ela admite, no entanto, que, se as decisões de investimento não forem retomadas, o reflexo dessa incerteza certamente recairá sobre a folha de pagamento.
De acordo com Zaidan, a partir de novembro o setor também passa por um período sazonal de fechamento de vagas, que são retomadas no início do ano. "Essas demissões não são relacionadas com a crise. São feitas as dispensas porque as obras ficam paradas nesta época do ano".
Fonte: Agência Sebrae |